quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Olhar-te bem nos olhos: que voragem!
 Ouvir-te a voz na alma: que estridência!
 É tão difícil termos coragem
 de nos vermos enfim sem complacência.
 É tão difícil regressar de viagem,
 e descobrir no rastro tanta ausência...
 Mas os meus olhos, súbito, reagem.
 À tua voz chega o silêncio e vence-a.
 Nos pulsos vibra ainda o mesmo rio
 que no delta dos dedos se extasia
 e moroso reflui ao coração.
 O gesto de acusar-te? Suspendi-o.
 Mas foi só aguardando melhor dia
 em que tenha lugar a execução.
 David Mourão Ferreira, "Infinito Pessoal"

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