quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Clichê do ano



   Já parece mais um clichê e já virou quase um ritual. Escrever uma mensagem no final do ano, fazer um balanço do ano que está a terminar, do que não se fez.... do que se deveria ter feito, do que foi bom ou menos bom e o que podemos ou desejamos do próximo ano. É com tudo isto que nos deparamos no final de cada ano, quer seja nos spots publicitários, quer seja nas redes sociais , nos sms, em cartas, bem parece-me que estas últimas encontram-se numa quase espécie em vias de extinção.
     Por último há aquelas pessoas que não escrevem nada, mas que num dos momentos mais a sós das suas vidas,  não deixam de fazer uma reflexão, um momento introspetivo, único,  que seja, do seu ano.
     E isso é bom, uma vez que passamos a maior parte do ano com pouco tempo para essas reflexões. Seja porque temos que trabalhar, seja porque temos que dar atenção aos filhos, seja porque temos os afazeres domésticos e o gato para cuidar, seja simplesmente porque muitas vezes temos medo de nos olhar de frente e perceber de uma forma clara e com sentido quais as motivações que nos fazem caminhar e ir para  a vida.
Então que seja este o tempo!
O tempo de nos olharmos sem medo,  numa espécie de descanso de guerreiro e nem que seja uma vez por ano, olharmo-nos e reconhecermos a pessoa única e maravilhosa que vive connosco os 365 dias do ano!... Porque hoje há tempo. Porque hoje, nada mais há para ser feito. E amanhã já é outro ano!...


Abraço carinhoso

Sofia

Flor de Lótus



Deus,
 Peço-te:
 Interpreta-me.
Não leia apenas as minhas palavras;
 Elas são poucas,
 Frágeis,
 Quebradiças.

Cá, dentro, tem um mundo:
 (Quase sempre)
 Inabitado.
 (Quase sempre)
 Incompreensível.
Sei que habitas no secreto,
 Nos dias em que não há;
 Nos cantos intocáveis,
 Nos acontecimentos invisíveis.
Por favor, peço-te:
 Cubra-me!
Cubra me,
 Com o teu silencioso cuidado.
 E eu me abrigarei na confiança,
 De que sempre estarás comigo.

Poesia: Luciana Leitão
Olhar-te bem nos olhos: que voragem!
 Ouvir-te a voz na alma: que estridência!
 É tão difícil termos coragem
 de nos vermos enfim sem complacência.
 É tão difícil regressar de viagem,
 e descobrir no rastro tanta ausência...
 Mas os meus olhos, súbito, reagem.
 À tua voz chega o silêncio e vence-a.
 Nos pulsos vibra ainda o mesmo rio
 que no delta dos dedos se extasia
 e moroso reflui ao coração.
 O gesto de acusar-te? Suspendi-o.
 Mas foi só aguardando melhor dia
 em que tenha lugar a execução.
 David Mourão Ferreira, "Infinito Pessoal"

O meu legado


1 de Agosto de 2015

Não sei porque, nem vale a pena perguntar, mas muito precocemente estou perdendo as pessoas que me couberam em sorte e decidiram ver-me nascer e crescer, a  minha família!
 A cada um deles quero agradecer o  amor que me deram. Pois cada um amou-me muito e à sua forma! Muita coisa poderia ser diferente! Pois poderia! Mas foram as nossa histórias! Com tudo de belo e feio que elas podem conter! Com todas as perfeições e imperfeições que são inerentes à natureza humana!
 Foi o que cada um de nós conseguiu ser e dar nas partilhas das nossas vidas!
 É com muita dor que os vejo partir, rumo ao infinito e ao desconhecido!.... Mas também com aceitação que foi essa sua decisão! A sua viagem pela Terra terminou!
 A mim cabe-me escutar e interpretar todas as mensagens e sinais que me deixaram com a presença da vida dele .e também com as suas ausências!....E guardar no meu coração e alma todas essas aprendizagens  É com muita honra que guardo esse legado!
 A todos eles estou eternamente grata por ser a mulher que sou! E perpetuarei com muito orgulho e sempre as suas  memórias!

Abraço carinhoso

Sofia

domingo, 27 de dezembro de 2015

"O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que vou ter que encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho, o ...abraço é apertado, o aperto de mão é sincero. Por isso, não estranhe a minha maneira de sorrir e de te desejar taaanto bem. Eu sou aquela pessoa que acredita no bem, que vive no bem e que anseia o bem. É assim que eu enxergo a vida e é assim que eu acredito que vale a pena viver."
(Clarice Lispector)


"TALVEZ não pareça, mas eu amei mais do que pude, perdoei mais do que devia, sonhei além da conta e insisti em causas perdidas como se houvesse um jeito de mudar alguns finais. Talvez você nem imagine, mas eu fui para vários lugares em que me senti mais confortável no trajeto do que quando cheguei ao destino. Já me fiz de míope, três vezes mais míope, dez mil vezes mais míope. Me fiz de surda, muda e louca. Menti. Parei de mentir quando virei vítima de mentiras e me encontrei... completamente humana. Fracassei, dancei, cantei, beijei quem não devia, liguei na hora errada, aceitei desculpas esfarrapadas, recusei amor e me arrependi. Implorei amor e me arrependi. Voltei atrás e me arrependi. Até me arrepender de me arrepender tanto e deixar tudo fluir, simplesmente. Então, se eu deixasse de existir amanhã - ou daqui a pouco, saberia que fui a melhor e a pior das minhas versões. Que não tive meio termo. Que não fui mais ou menos. Foi intenso, verdadeiro. Tudo certo então, amém."
Camila Heloise



É ISTO MESMO...DANÇAR É A MINHA PRECE MAIS PURA...


"Dançar é minha prece mais pura. Momento em que o meu corpo vislumbra o divino, em que os meus sentimentos tocam o real. Religiosidade despida de exageros, desejo lascivo, bordado de plenitude. Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível! Posso sentir todos os corpos, abraçar com todo o coração, e amar com os olhos. Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito, pairando no ar, compreensão e admiração. Iniciar uma prece é como abrir uma porta. Um convite para você entrar no meu universo. O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo que lhe toco sem tocar. Nada a observar, só a participar. Esta prece ausente de palavras é codificada pela alma e faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica. Quando eu terminar essa dança, estarei certa de que não seremos os mesmos."
22 de Dezembro Solstício de Inverno
" 21 a 23 de Dezembro: Solstício de Inverno
O sol está no seu menor grau, é a noite mais longa do ano. No meio da escuridão,... há uma esperança na renovação solar que em algumas tradições pagãs assume a simbologia da criança renascida. Honra-se a Deusa Mãe que dá à luz o seu filho, o Sol. É tempo de festas de comemoração e incentivo a esse renascimento decorando as casas com ramos de árvores perenes e acendendo o fogo da lareira. No exterior fazem-se danças à volta da fogueira que simboliza a luz e o calor necessários à vida e cultiva-se a árvore que representa a resistência à morte simbolizada pela escuridão e o frio do Inverno.
Por esta altura, dependendo da Lua, na região norte da Ibéria os Velhos reúnem-se…
(PFI Portugal)

A palavra solstício vem do latim "sol" e “sistere "que não se move". O Solstício de Inverno é o dia mais pequeno e a noite mais longa do ano e pode ocorrer de 21 a 23 de Dezembro. Este festival é também conhecido por Yule e Alban Arthan. A partir desta data, os dias começam novamente a crescer, marcando o fim da “escuridão”. O Solstício de Inverno é um dos dias mais importantes, uma vez que os mortos e outros seres do lado escuro viajam mais livremente, o Inverno chega e os humanos estão mais perto do mundo dos espíritos. Jölföðr (Pai Yule) e Jölnir (Yule) são nomes de Odin. Há quem diga que ele é a figura original que oferecia presentes. Antes da Era Victoriana, o velhinho de barba branca, gordo e sorridente, popularizado como Pai Natal, era uma figura alta e magra, vestindo uma capa negra e não vermelha e branca. Antigas lendas descrevem-no montado num cavalo branco (lembrando Odin) e não num trenó puxado por renas.
A tradição cristã do pinheiro de Natal tem também origem na celebração pagã. As famílias pagãs traziam uma àrvore viva para casa para que os Espíritos do bosque tivessem um lugar para se aquecer durante os rigores do Inverno e eram colocados sinos nos galhos a fim de se saber quando um Espírito estava presente. Comida e doçarias eram penduradas nos ramos a fim de alimentar os Espíritos e o pentagrama era colocado no topo da árvore. As cores da época eram o vermelho e o verde e também eram trocados presentes. Muitas decorações natalícias têm origem pagã.
O Solstício de Inverno representa o renascimento da luz. Este festival coincide quase com a festa cristã, o Natal, festa essa que em tempos era celebrada diversas vezes, em diferentes alturas do ano. A escolha do dia 25 de Dezembro foi feita pelo Papa Júlio I no séc. IV a.c., por coincidir com as festividades pagãs do Solstício de Inverno, pelo que a verdadeira intenção era substituir a celebração pagã pela cristã.
O Solstício é celebrado pelo fogo e muitos ainda mantêm a tradição da queima da acha, que deverá ser de carvalho ou pinheiro. Se o fizerem, desenhem sobre ele a figura do Sol ou do Deus Cornífero e acendam-na na lareira ao entardecer, no Yule, sendo essa uma representação do renascimento do Deus Sol dentro do fogo sagrado da Deusa. À medida que a acha arde, visualizem o Sol a brilhar lá dentro e pensem na chegada dos dias mais amenos. Tradicionalmente um pequeno pedaço que reste da acha será guardado durante o ano para proteger a nossa casa e também para ajudar a queimar a acha do próximo Solstício de Inverno.
Decoração:
Azevinho, guirlandas, pinhas, frutas
Alimentos tradicionais:
Peru assado, carne de porco, nozes, bolos de fruta, bolos de castanhas embebidos em cidra, castanhas assadas, maçãs e pêras, gemada e vinho quente com especiarias, chás de gengibre e hibísco.
Incensos:
Louro, cedro, canela, pinho e alecrim.
Cores das velas:
Vermelho, verde, dourada, branca, amarela, prateada.
Pedras preciosas:
Olho-de-gato, rubi, esmeralda, diamante
Ervas ritualísticas tradicionais:
Louro, camomila, alecrim, salva, zimbro, cedro, sempre-viva, cardo santo, olíbano, azevinho, visco, musgo, carvalho e pinhas.
Este é o tempo de traçar novos objectivos, reencontrar esperanças, clamar aos Deuses que rejuvenesçam os nossos corpos e corações, a fim de que nos dêem forças para nos libertarmos de coisas antigas e desgastadas e deixar velhas mágoas para trás. É tempo de descobrirmos a criança existente dentro de nós e renascermos na pureza e alegria. Encontremos-nos com a Luz e compreendamos que tudo é cíclico na nossa existência.
Este ano o Solstício de Inverno ocorre no dia 22 de Dezembro às 4.48h.
Boas celebrações e abençoados sejam!"
Texto de Paula Correia
Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e ver um anjo e, tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam.


Pablo Neruda

Coldplay - Gravity

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal de 2015


25 de Dezembro de  2015



A vida é assim, continuamente a testar-nos. Tinha idealizado um Natal fora do meu País, longe de algum desconforto que esta época sempre me teima fazer chegar. Longe das luzes, das músicas, longe de todos os estereótipos que a sociedade judaico cristã recria ano após ano.
Definitivamente não gosto do Natal. Que me desculpem todas as pessoas que dizem ser esta a época mais bela do ano.
E como a vida é um constante desafiar... mais uma vez a minha vida me desafiou.
Foi-me diagnosticado um síndrome vertiginoso, algo que te impossibilita de te manteres em equilíbrio uma vez que em posição ereta tens continuamente vertigens e outras sensações associadas extremamente desagradáveis.
Fiquei com tempo, muito tempo e neste tempo refletir o que esta experiência de tamanha insegurança me trouxe até mim.
E com um sorriso doce nos lábios, senti amparo, amor, amizade, afeto, preocupação, presença.
Estou grata, mil vezes grata à  Vida, ao Universo, a Deus de sentir no coração de cada um de vós esse amor que tanto me inspira e insufla de energia de forma a  seguir  os passos da minha caminhada que por agora são muito cambaleantes.
                                                             
Abraço carinhoso

Sofia