Desde muito cedo talvez, nem sei precisar ao certo no tempo quando a dança se fez presente na minha vida e no meu mundo. Tal como a maioria das pessoas presumo que na primeira Infância. Uma música tocava e eu sentia vontade de acompanhar o corpo ao som dessa música e todas as células despertavam de uma espécie de letargia e eu sentia-me vibrar e dançava. Como era mágico o momento em que o meu corpo se movia ao som da musica. Como eram maravilhosas todas as sensações no meu corpo. Mas eram muito escassos os momentos de dança na minha vida. Apenas quando ia a algumas festas, ou quando havia algumas comemorações de datas festivas. E mais tarde na minha juventude havias as populares músicas nas discotecas em que aí nos permitíamos ou nos permitiam podermos dançar muito. Aí sim, como o célebre ditado popular diz: "Tirava a barriga de miséria".E eram momentos de celebração, de felicidade de conquista mesmo, de um período em que eu me permitia ser só eu e a música. Um momento de criação divina.
Mas outras rotinas se foram instalando e os momentos de dança na minha vida foram rareando ainda mais. De uma forma muito ténue permiti que uma parte de mim fosse definhando, porque para mim a Dança é vida, pois quando danço torno-me mais viva, sentindo a profundidade do meu ser. Senti esse vazio, essa lacuna que a dança me preenchia. O meu corpo era apenas um corpo. Um agente quase estranho meramente executor de funções vitais e biológicas. Foi então que anos mais tarde conheci a Biodanza. A Biodanza é um sistema que estimula o desenvolvimento humano através de vivências integrativas induzidas pela música e pela dança.
Nas palavras do seu criador, Rolando Toro, a Biodanza é "um sistema de desenvolvimento humano, renovação orgânica, integração afectiva e reaprendizagem das funções originárias de vida" (Toro, 2002, p.33).
E foi com a Biodanza que voltei e aí com regularidade a dançar e a vivenciar de forma profunda todas as emoções que cada música me traz e a expressar com o meu corpo todas as sensações e sentimentos que me permito sentir. Agora sim de uma forma consciente e plena foi um renascimento, pois entrou mais vida na minha vida e em simultâneo houve um nascimento de mim mesma. Pois nasceram mais formas de me sentir como jamais tinha experienciado. Não tinha a consciência que agora tenho desses sentires. E isso é maravilhoso. Quando danço entrego-me á beleza , ao toque, ao humano mais profundo em mim. E quanto mais humana me sinto, mais o divino se faz sentir. E o que é a Vida senão a beleza do divino em nós enquanto seres humanos.
Abraço carinhoso
Sofia